Numa sociedade cada vez mais presa à velocidade, o sexo também se quer rápido. Além de mais gratificantes, as chamadas rapidinhas põem as emoções em alta e afastam as nuvens negras do stress
Por Cristina Azedo
Aqueles tempos antigos, que diziam que o sexo para ser bom tinha de ser feito na cama, com muitos preliminares e em câmara lenta, parecem ter acabado. Para usar as palavras todas – ao jeito da desbocada e desinibida Samantha, da série Sexo e a Cidade – o que está a dar são as rapidinhas. Outrora tido como coisa de homens maldosos e aventureiras desesperadas, o sexo rápido está a viver, por assim dizer, o seu clímax.
“É irrealista esperar ter sexo completo todas as vezes, por isso é que as rapidinhas não são opcionais, são francamente necessárias”, sentencia
o psicólogo norte-americano Joel Block na apresentação do seu livro The Art of the Quickie.
Apesar de ter lançamento marcado apenas para o final do ano, nos Estados Unidos, a obra está já disponível para encomendas, o que quer dizer que interessados não devem faltar. Aliás, o subtítulo é uma promessa tentadora, nesta época em que tempo é dinheiro e tudo, sem excepção, se quer despachado à velocidade da luz – Fast Sex, Fast Orgasm, Anytime, Anywhere. Afinal, como diz a britânica Emily Dubberley, autora de quase uma dezena de guias sexuais e fundadora do Cliterati, um site dedicado às mulheres e cheio de histórias eróticas, no seu livro Sex for Busy People, “esqueçam o sexo tântrico, bem-vindos ao sexo frenético”.
Até à Eternidade
Atracção Fatal
Revelação
O Carteiro Toca Sempre Duas Vezes
O cinema tem explorado o perigo e a excitação do sexo em locais proibidos ou públicos, onde o desejo quase irracional vence todas as barreiras
O que tem esta variante de tão especial? Em primeiro lugar, é sexo e hoje sabe-se, sendo até subscrito pela Organização Mundial de Saúde, que uma boa prática sexual é um dos parâmetros da qualidade de vida. Depois, os especialistas já vieram garantir que, além de ser apenas uma das muitas formas de atingir o prazer, nada tendo de pervertida, poderá ser mais intensa do que a variante dita normal. Portanto, boas notícias para quem tem uma agenda muito preenchida ou é partidário da fuga à rotina.
“Pode ser mais intenso, sim”, confirma a terapeuta sexual Paula Pinto. E acaba com o resto das dúvidas: “Sendo uma relação delimitada no tempo e praticada fora do contexto habitual, acaba por ser mais concentrada e gratificante se ambos estiverem na mesma onda e com o mesmo ritmo.” E revela que há muitas formas de espicaçar o erotismo.
“Pode-se aproveitar a hora de almoço para um encontro rápido em casa ou noutro local inesperado, ceder aos impulsos quando ambos se vestem de manhã antes de sair para o trabalho, usar a casa de banho do restaurante onde se foi jantar com amigos, ou até fazer da conversa telefónica uma espécie de preliminar ao sexo.”
Também há aqueles que, como nos filmes, encontram excitação em situações onde está presente o perigo. Exemplos? “Fazer sexo rápido em locais proibidos ou públicos, correndo o risco de ser apanhado em flagrante ou usando posições claramente difíceis e invulgares”, responde Paula Pinto, dizendo que, nesses casos, o desejo vence o receio racional. “Seja como for, o fundamental é mesmo mexer com esse desejo para activar tudo o resto”, lembra, como quem diz que as rapidinhas, embora mais espontâneas, não nascem do nada. “Só assim o súbito do momento pode funcionar na conquista do prazer, pois activou-se ali qualquer coisa a nível erótico que, dispensando os preliminares clássicos, é suficiente para a excitação do homem e da mulher”, explica a psicóloga.
Depois disto, percebe-se que as rapidinhas não são fonte de prazer unicamente para os homens, como se pensava até há poucos anos. “Podem ser igualmente gratificantes para as mulheres se as condições forem favoráveis a que tudo aconteça de forma equilibrada”, informa a terapeuta sexual, notando no entanto que, ao nível do desejo, a mulher poderá necessitar de um maior estímulo. Como todos vamos sabendo, os homens possuem em alta uma hormona chamada testosterona, responsável pelo seu despertar e predisposição sexual mais frequente, onde não há necessidade de grandes imaginações… “Isto não quer dizer que os homens te-nham mais desejo do que as mulheres”, salienta Paula Pinto. E clarifica: “Não se trata disso, mas de, perante um pequeno estímulo, eles ficarem mais facilmente activos sexualmente, tendo uma erecção.”
Se antigamente esta questão do estímulo feminino poderia ser encarada como um entrave ao sexo rápido, sendo a excitação da mulher vista como um processo lento e complexo, hoje vivem-se novos tempos. Conhecemos como funciona o nosso corpo e sabemos o que nos pode dar satisfação em poucos minutos. Além disso, é bom não esquecer que o sexo começa no cérebro – essa máquina de precisão capaz de executar as nossas ordens tão rápido quanto lhe ensinarmos.
Portanto, muito do estímulo feminino necessário pode ser para aí dirigido, até através de palavras eróticas ou picantes. O que os especialistas garantem é que podemos modificar as nossas tendências, torná-las mais suaves ou impulsivas. Não há nada como tentar e aprender.
Onde? inspire-se nos filmes!
Se lhe falta inspiração, lembre-se das cenas quentes da história do cinema:
1. Na mesa da cozinha, se esta for grande e segura, claro!
2. Na casa de banho de uns amigos, enquanto todos cantam os parabéns
4. Na praia, durante o dia, se for deserta; à noite, se for segura
5. Na fila de trás do cinema à hora de almoço, quando as salas estão desertas
6. Num elevador enorme e brilhante, como mostram os filmes mais optimistas
7. No escritório, após a hora de saída. Mas atenção às câmaras de segurança!
Além de mais gratificante, o sexo rápido pode ainda ser um verdadeiro milagre para os casais de longo prazo. “A maior parte das vezes, a rotina da vida a dois causa um certo desgaste, que leva a que cada vez haja menos interesse sexual. No entanto, se forem criadas situações novas, e inesperadas, a vontade poderá voltar”, afirma Paula Pinto, que recomenda uma tentativa sem preconceitos.
“Se as coisas estiverem equilibradas entre os dois, a relação pode regressar ao passado no sentido do entusiasmo e do interesse sexual dos primeiros tempos. É quase como se houvesse um retorno aos momentos irracionais da paixão e do desejo a todo o instante.”
Outra boa notícia é que o sexo rápido pode afastar as nuvens negras do stress. Se este poder já era reconhecido ao sexo dito normal, classificado como tendo tantos benefícios para a saúde como uma corrida de meio-fundo – aumenta a batida cardíaca, melhorando a respiração, a circulação e a flexibilidade muscular –, o que dizer dos encontros onde tudo é concentrado e intenso?
Aqueles tempos antigos, que diziam que o sexo para ser bom tinha de ser feito na cama, com muitos preliminares e em câmara lenta, parecem ter acabado. Para usar as palavras todas – ao jeito da desbocada e desinibida Samantha, da série Sexo e a Cidade – o que está a dar são as rapidinhas. Outrora tido como coisa de homens maldosos e aventureiras desesperadas, o sexo rápido está a viver, por assim dizer, o seu clímax.
“É irrealista esperar ter sexo completo todas as vezes, por isso é que as rapidinhas não são opcionais, são francamente necessárias”, sentencia
o psicólogo norte-americano Joel Block na apresentação do seu livro The Art of the Quickie.
Apesar de ter lançamento marcado apenas para o final do ano, nos Estados Unidos, a obra está já disponível para encomendas, o que quer dizer que interessados não devem faltar. Aliás, o subtítulo é uma promessa tentadora, nesta época em que tempo é dinheiro e tudo, sem excepção, se quer despachado à velocidade da luz – Fast Sex, Fast Orgasm, Anytime, Anywhere. Afinal, como diz a britânica Emily Dubberley, autora de quase uma dezena de guias sexuais e fundadora do Cliterati, um site dedicado às mulheres e cheio de histórias eróticas, no seu livro Sex for Busy People, “esqueçam o sexo tântrico, bem-vindos ao sexo frenético”.
Até à Eternidade
Atracção Fatal
Revelação
O Carteiro Toca Sempre Duas Vezes
O cinema tem explorado o perigo e a excitação do sexo em locais proibidos ou públicos, onde o desejo quase irracional vence todas as barreiras
O que tem esta variante de tão especial? Em primeiro lugar, é sexo e hoje sabe-se, sendo até subscrito pela Organização Mundial de Saúde, que uma boa prática sexual é um dos parâmetros da qualidade de vida. Depois, os especialistas já vieram garantir que, além de ser apenas uma das muitas formas de atingir o prazer, nada tendo de pervertida, poderá ser mais intensa do que a variante dita normal. Portanto, boas notícias para quem tem uma agenda muito preenchida ou é partidário da fuga à rotina.
“Pode ser mais intenso, sim”, confirma a terapeuta sexual Paula Pinto. E acaba com o resto das dúvidas: “Sendo uma relação delimitada no tempo e praticada fora do contexto habitual, acaba por ser mais concentrada e gratificante se ambos estiverem na mesma onda e com o mesmo ritmo.” E revela que há muitas formas de espicaçar o erotismo.
“Pode-se aproveitar a hora de almoço para um encontro rápido em casa ou noutro local inesperado, ceder aos impulsos quando ambos se vestem de manhã antes de sair para o trabalho, usar a casa de banho do restaurante onde se foi jantar com amigos, ou até fazer da conversa telefónica uma espécie de preliminar ao sexo.”
Também há aqueles que, como nos filmes, encontram excitação em situações onde está presente o perigo. Exemplos? “Fazer sexo rápido em locais proibidos ou públicos, correndo o risco de ser apanhado em flagrante ou usando posições claramente difíceis e invulgares”, responde Paula Pinto, dizendo que, nesses casos, o desejo vence o receio racional. “Seja como for, o fundamental é mesmo mexer com esse desejo para activar tudo o resto”, lembra, como quem diz que as rapidinhas, embora mais espontâneas, não nascem do nada. “Só assim o súbito do momento pode funcionar na conquista do prazer, pois activou-se ali qualquer coisa a nível erótico que, dispensando os preliminares clássicos, é suficiente para a excitação do homem e da mulher”, explica a psicóloga.
Depois disto, percebe-se que as rapidinhas não são fonte de prazer unicamente para os homens, como se pensava até há poucos anos. “Podem ser igualmente gratificantes para as mulheres se as condições forem favoráveis a que tudo aconteça de forma equilibrada”, informa a terapeuta sexual, notando no entanto que, ao nível do desejo, a mulher poderá necessitar de um maior estímulo. Como todos vamos sabendo, os homens possuem em alta uma hormona chamada testosterona, responsável pelo seu despertar e predisposição sexual mais frequente, onde não há necessidade de grandes imaginações… “Isto não quer dizer que os homens te-nham mais desejo do que as mulheres”, salienta Paula Pinto. E clarifica: “Não se trata disso, mas de, perante um pequeno estímulo, eles ficarem mais facilmente activos sexualmente, tendo uma erecção.”
Se antigamente esta questão do estímulo feminino poderia ser encarada como um entrave ao sexo rápido, sendo a excitação da mulher vista como um processo lento e complexo, hoje vivem-se novos tempos. Conhecemos como funciona o nosso corpo e sabemos o que nos pode dar satisfação em poucos minutos. Além disso, é bom não esquecer que o sexo começa no cérebro – essa máquina de precisão capaz de executar as nossas ordens tão rápido quanto lhe ensinarmos.
Portanto, muito do estímulo feminino necessário pode ser para aí dirigido, até através de palavras eróticas ou picantes. O que os especialistas garantem é que podemos modificar as nossas tendências, torná-las mais suaves ou impulsivas. Não há nada como tentar e aprender.
Onde? inspire-se nos filmes!
Se lhe falta inspiração, lembre-se das cenas quentes da história do cinema:
1. Na mesa da cozinha, se esta for grande e segura, claro!
2. Na casa de banho de uns amigos, enquanto todos cantam os parabéns
4. Na praia, durante o dia, se for deserta; à noite, se for segura
5. Na fila de trás do cinema à hora de almoço, quando as salas estão desertas
6. Num elevador enorme e brilhante, como mostram os filmes mais optimistas
7. No escritório, após a hora de saída. Mas atenção às câmaras de segurança!
Além de mais gratificante, o sexo rápido pode ainda ser um verdadeiro milagre para os casais de longo prazo. “A maior parte das vezes, a rotina da vida a dois causa um certo desgaste, que leva a que cada vez haja menos interesse sexual. No entanto, se forem criadas situações novas, e inesperadas, a vontade poderá voltar”, afirma Paula Pinto, que recomenda uma tentativa sem preconceitos.
“Se as coisas estiverem equilibradas entre os dois, a relação pode regressar ao passado no sentido do entusiasmo e do interesse sexual dos primeiros tempos. É quase como se houvesse um retorno aos momentos irracionais da paixão e do desejo a todo o instante.”
Outra boa notícia é que o sexo rápido pode afastar as nuvens negras do stress. Se este poder já era reconhecido ao sexo dito normal, classificado como tendo tantos benefícios para a saúde como uma corrida de meio-fundo – aumenta a batida cardíaca, melhorando a respiração, a circulação e a flexibilidade muscular –, o que dizer dos encontros onde tudo é concentrado e intenso?

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