terça-feira, setembro 26, 2006

Ester M.

É possível que o meu argumento aqui tenha a ver com o fato de a minha relação com o velho amigo ter atingido o auge, após tantos anos. De qualquer forma, acho que faz sentido.

Depois de certa idade, decretada a independência que põe fim às rapidinhas em carros, escadas e cantinhos escuros, a tendência é associar sexo a ambientes confortáveis, com cama, lençóis limpos e banheiro bacana.

De um tempo para cá, entretanto, venho descobrindo que a falta de mobiliário pode ser uma vantagem, porque instiga a criatividade, despertando um tesão adolescente há tempos adormecido, mesmo que em bons lençóis.

Forçada a sair do comodismo, a dupla sem-móvel se desatrela das seis ou sete variações tradicionais da superfície horizontal e ousa posições diferentes, usando como apoio o que estiver ao alcance, como bancadas, cadeiras, armários, paredes e o chão.

Nos últimos meses, além de chupar muito, quase sempre ajoelhada, transei das seguintes maneiras: em pé, de costas, apoiada na parede, depois de ser sarrada de frente de maneira alucinada; sentada na estação de trabalho, na frente do micro; sentada sobre ele numa cadeira giratória; e estrategicamente debruçada sobre uma cadeira de braços.

Tudo bem, gozar fica mais difícil, mas não impossível. Demanda concentração e uma certa perseverança. Nada como um bom treino, especialmente em se tratando de sexo.
Ester M.

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