Já ouviu falar de “neo-monogamia”? O termo é novo e surgiu recentemente publicado na New York Magazine num artigo sobre os casamentos actuais que tendem a ser cada vez mais abertos.
Neste neologismo prevalece a ideia de que as
ditas “facadinhas no matrimónio” deixam de fazer sentido. O casal estabelece determinadas condições de liberdade sexual, que podem ir do simples beijo às orgias mais desgarradas. E levando a sério este acordo deixa de haver necessidade de enganar...A ideia é, de facto, muito moderna... especialmente para quem pensa que, uma vez casados, homem e mulher devem manter-se fieis para sempre.
Mas se o casal concordar que deve haver um pouco de liberdade para ambos? A comunicação não será mais saudável e livre de traições e de enganos?
Se alguem quer ter essa liberdade porque e que casa?
Eu penso que no meu casamento jamais permitirei que o meu marido tenha relacções sexuais com outra pessoa. Se alguém quer ter essa liberdade por que é que casa?
Nao sou ciumenta mas e impensável o que sentiria caso soubesse que tinha sido traida, o meu consentimento nunca irei dar. Mas nao critico quem o faz, apenas nao considero esta prática muito saudável quer a nível físico quer psicológico.
Sofia, 28 anos (Guildford- Inglaterra)
Sou agora mais amiga do marido e ele meu. Se eu não tivesse tido os amantes que já tive ou já me teria divorciado ou sentiria um enorme vazio e não teria o gosto que sempre me fizeram sentir pela vida.
Sou uma mulher madura que sempre foi traída pelo marido num casamento de 30 anos.
Nos primeiros anos fui muito infeliz, discutia com o marido enquanto ele me deixava a falar sozinha e feliz da vida por encontrar a esposa sempre em casa a sua espera.
Uma amiga em quem sempre confiei aconselhou-me a não pedir o divórcio visto eu ficar em mas condições financeiras mas a divertir-me sem deixar que fosse algum dia apanhada em flagrante.
Não me faltavam homens a sugerir uma saída pois muitos sabiam que ele pouca companhia me fazia.
Farta de me queixar e de sentir uma grande carência afectiva, aceitei o primeiro e deixei de tomar anti-depressivos. Sempre tive facilidade em escolher os homens que me agradavam mas não andava muito tempo com nenhum deles porque não correspondiam às minhas necessidades sexo não era o que me faltava. Passados 20 anos de casada tive a relação extraconjugal mais duradoura, 3 anos, mas que me marcou bastante. Sentia-me feliz mas acabou porque também me sentia traída e também por dificuldade em manter a dupla relação marido-amante.
Foram muitos os homens com quem troquei afecto, tive varias paixões mas nunca deixei o marido. Não sei se ele facilitava ou não as minhas aventuras mas como ele teve sempre as dele eu tinha facilidade em manter as minhas.
Aos 40 anos os amigos íntimos eram na casa dos trinta anos. Hoje com 50 continuam a ser na casa dos 30 anos.
Sou agora mais amiga do marido e ele meu. Se eu não tivesse tido os amantes que já tive ou já me teria divorciado ou sentiria um enorme vazio e não teria o gosto que sempre me fizeram sentir pela vida.
Não sou egoísta e o meu marido penso que também deixou de o ser. Não o troco por nenhum ,porque nenhum seria mais meu amigo do que ele o é e ele diz o mesmo de mim.
Tenho a minha vida normal em família e sociedade. Alguns marcaram-me muito, outros não. Digo, de há algum tempo para cá que vou terminar esta vida dupla mas é o que me faz ser uma mulher em forma física e mental. Quando não tiver homens de quem goste muito arranjarei outras coisas que me façam sorrir.
Este e o exemplo que tenho para contar.Tudo daria um filme.
Maria
“Antes de tudo, por que é que as pessoas estão juntas?”
Creio que é interessante e até saudável que as pessoas definam os limites das suas relações para que possam respeitá-las melhor. Mas estes “neo-monogâmicos” tendem a pensar que não passamos todos de cães de matilha, que o casamento termina sempre em divórcio e que enganar alguém que amamos é mau.
Mas se uma mulher chega a casa chateada ou deprimida com o seu e encontra o marido com outra e o marido lhe diz “já vou ter contigo mas deixa-me acabar o assunto com esta rapariga que encontrei o café”? Eu pergunto, o que é que estas pessoas estão a fazer juntas? Acho que a monogamia tem os seus problemas mas é bem melhor que esta monogamia se nos esforçarmos para que a relação funcione.
Luís dos Santos, 42 anos (Pinhal Novo)
“Se a neo-monogamia é possível? Absolutamente!”
Marta: Todos sabemos que o casamento monogâmico está longe de ser um mar de rosas. E se os casais quiserem estabelecer as suas próprias regras eu dou o meu total apoio, pois terão uma vida ajustada às suas necessidades mútuas.
O problema é que tal vai minar a segurança – um dos pilares dos casamentos convencionais. Uma parte importante do acordo matrimonial é saber que a outra pessoa vai estar ao nosso lado na “saúde e na doença” no “bem e no mal” e a pessoa com quem estamos casados tiver um affair num período em que estejamos “doente ou mal” é muito difícil não nos sentirmos magoados ou traídos. É absolutamente possível, desde que primeiro tenhamos consciência que o diálogo e o respeito pelo outro são essenciais. Depois vem o resto.
Rui: Lá por ser acima de todas as regras, não significa que não dê problemas! Todos os ser humanos têm ciúmes e esta é uma emoção que não devemos ignorar ou deixar de lado mas sim aprender e a gerir da melhor maneira, ainda para mais se tivermos uma relação aberta com alguém.
Sei de casais que têm um casamento aberto e que são felizes. Sei também que em tempos se debateram com o ciúme mas com esforço superaram as suas crises.
Marta e Rui Duarte - Coimbra
É um conceito assustador
Esta situação faz-me pensar se não sou uma antiquada mas a verdade é que me guio por um sistema de valores espirituais da pessoa humana e a chamada relação aberta foge bastante àquilo que penso ser essencial para uma relação duradoura. Esta parece ser mais uma desculpa para a indulgência, egoísmo e comportamentos irresponsáveis.
Noémia Ribeiro, 52 (Póvoa do Varzim)
Devem estar a brincar!
Estou a ter terapia de casal há vários anos e quando a casamentos abertos tenho que ver para acreditar! Pondo de parte a moralidade e as doenças sexualmente transmissíveis, creio que essa opção só leva ao desmoronamento da relação. Mesmo que os casais estabeleçam as regras na prática tudo será como uma caixa de pandora... Mesmo que a monogamia tradicional não seja a solução perfeita para os casais mais aventureiros é o melhor que temos à mão.
Manuela Silva, 44 anos (Setúbal)
Acredito nessa possibilidade
Na minha experiência profissional – sou psicóloga – sei que os casais têm problemas quando uma das partes tem sexo com alguém de fora, mesmo que tal seja consentido pelo outro. De início podem pensar que não há problema mas o ciúme acaba por prevalecer.
Mas é possível que haja casais que tenham um casamento aberto e que consigam viver felizes assim? Sim, creio que é. Entendo que apesar de certos padrões de comportamento inerentes à nossa sociedade, cada relação é uma relação e quem a alimenta são as pessoas e quanto maior for a maturidade e segurança dessas pessoas maior é sua capacidade de lidar com determinadas situações.
Ana Caetano, 32 anos - Lisboa
1 comentários:
Now thats a picture
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