
As mulheres portuguesas entre os 16 e os 34 anos preferem ter relações sexuais durante as férias.
Que se sentem mais relaxadas, com mais disponibilidade e mais sexys.
Até aqui nada de surpreendente, mas imagino a frustração masculina. Gerações e gerações de jantares românticos, óleos de massagem e declarações amorosas precipitadas e afinal tudo o que basta é uma ida à secção de pessoal para carimbar o pedido de férias.
Aparentemente, para a mente feminina, existe qualquer coisa de afrodisíaco na visão de um passaporte.
Há um elemento libidinoso subtil nas marcas do biquíni, como se tratassem de traços de uma caligrafia cuidada que convida ao acto sexual.
De tal forma que 27 por cento das mulheres dizem tornar-se sexualmente mais activas durante este período, e uma em quatro admite até ceder à tentação de uma one night stand.
Para os homens, são boas notícias.
De acordo com um outro estudo, nenhum povo no mundo parece ser tão adepto da prática como os portugueses.
Oitenta e um por cento não hesitariam em aderir a estas “aventuras de uma noite”, estejam ou não em férias. Desde que tivessem a sorte de acertar, no jogo inesperado das probabilidades, com a mais afoita das quatro mulheres.
Pena que este fenómeno de “inflação da libido” seja sazonal.
O sexo não só é bom como faz bem.
As hormonas libertadas durante o sexo podem aliviar as dores (oxitocina), conceder uma melhor noite de sono (endorfina), e ossos mais fortes (estrogénio).
Fisiologicamente, não é muito diferente de fazer desporto - a pulsação aumenta, a temperatura do corpo eleva-se, há transpiração q.b. e um certo grau de satisfação no final – embora, oficialmente, só uma destas actividades se pode praticar no ginásio.
Mas porque a excitação sexual anda a par do anabolismo, ambas beneficiam da produção de testosterona. A hormona que arruinou as carreiras de Justin Gatlin e Floyd Landis é a mesma que, em condições normais, contribui para um desempenho sexual muito mais satisfatório e instila uma atitude mais confiante e agressiva, que pode fazer a diferença numa prova ou jogo decisivos.
Em 1992, nos Jogos Olímpicos de Barcelona, médicos de uma clínica de Jerusalém romperam com a tradição de aconselhar abstinência durante as provas e recomendaram às atletas olímpicas para aproveitar as noites da melhor forma possível, sexo incluído.
A “receita” foi de tal forma eficaz que Yael Arad, uma judoca israelita, se tornou a primeira mulher do seu país a ganhar uma medalha. Talvez tenha sido o sucesso de Yael a influenciar a adopção da mesma prática, uns anos mais tarde, no estágio de uma selecção nacional…
Esta sim, é uma notícia bombástica. O sexo é terapêutico e faz de nós uns atletas. Seja por uma noite ou até ao final das férias.
por Luis Oliveira
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