No reino do sexo
Dos filmes pornográficos às sex-shops, dos clubes de strip-tease aos peep-shows, viagem aos bastidores da indústria do sexo em Portugal.
Na semana em que decorre o primeiro salão erótico, em Lisboa. Por enquanto com bolinha vermelha
Tiago Fernandes / VISÃO nº 643
30 Jun. 2005
Não revela o nome verdadeiro.
Nem onde nasceu e cresceu. «Ponha apenas Zona Centro», pede Xana, 27 anos, que, apesar de ser a vedeta porno portuguesa do momento, quer continuar no anonimato fora do circuito hardcore.
Os pais não desconfiam, os amigos também não e as clientes da sua boutique, em Lisboa, muito menos. Razão: «Portugal ainda está cheio de tabus.»
Em apenas um filme – Xana, Empresária Portuguesa –, esta residente no Montijo provocou alvoroço nos fãs de adult movies, habituados a fitas portuguesas de vão de escada e de actrizes com mais celulite do que talento. «Tive sucesso», diz, «porque sou tão natural como em casa.»
Para Xana e o marido, um gestor de empresas de 29 anos, tudo começou com um fétiche.
Adeptos do swing (troca de casais), que foram alimentando com a ajuda da Internet, um dia decidiram bater à porta de Paulo Costa, da Platina Filmes, a maior produtora nacional. «Os filmes caseiros já não nos satisfaziam, por causa dos planos fixos.»
Em Janeiro deste ano gravavam a primeira película, e Xana participaria ainda em Fétiche Anal de Ana.
Ao todo, ganhou cerca de 1 500 euros. Mas aquilo que lhe soube melhor, garante, foi ter sido capa de um filme.
E nada mais: a nossa vedeta porno será uma das maiores ausências no 1.° Salão Internacional Erótico de Lisboa (SIEL) que arranca hoje, quinta-feira, 30, e que até domingo, 3, reunirá na FIL as maiores estrelas hardcore mundiais e mais uma parafernália de expositores nacionais e estrangeiros.
A iniciativa foi trazida pelo Festival Internacional de Cine Erotico de Barcelona, evento que, nos últimos 13 anos, ganhou fama com shows de sexo ao vivo.
Em Portugal, o salão será «suave», garante Bibian Norai, ex-actriz porno espanhola e porta-voz do SIEL.
Não se espere mais do que simulações e strip-tease, numa contenção imposta pela FIL.
Nesta primeira edição, diz Bibian, o objectivo é «promover a abertura mental das pessoas e eliminar preconceitos». Porém, nada de confusões: a meta, admite, será atacar o el dorado luso. «O mercado ainda é virgem e os portugueses estão sequiosos de ter o muito que se faz lá fora.»
quarta-feira, abril 19, 2006
No reino do sexo
Publicada por Ana à(s) quarta-feira, abril 19, 2006
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