quarta-feira, abril 19, 2006

Contos Eróticos

Isaura
De facto, a vida prega-nos estranhas partidas. E dificilmente acreditaria no que hoje vou relatar se, simplesmente, me tivesse sido contado por alguém.
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Eu sou do tempo em que as famílias da classe-média tinham empregadas domésticas (a que na altura se chamava «criadas»), em geral raparigas ingénuas e analfabetas que vinham da província em busca de melhor vida na cidade; e em minha casa também houve várias.
Era frequente – pelo menos a acreditar nas histórias que eu ouvia contar aos amigos – que essas jovens acabassem por tomar parte activa e importante na educação sexual dos rapazes da época, o que era mais do que natural dada a íntima e longa convivência que se estabelecia – acompanhada, não raramente, de uma grande cumplicidade.
*
Várias vezes dei por mim a puxar pela memória, tentando, retrospectivamente, encontrar alguma coisa mais picante que tenha feito com alguma. De facto, elas vestiam-me e despiam-me, davam-me banho, secavam-me o corpo demoradamente e davam-me frequentemente beijos que muito me agradavam.
Ora sucedeu que uma tarde, já não sei porquê, eu fui malcriado com uma tal Isaura. Por vezes isso acontecia, mas sem consequências. Ralhava-me, dizia que ia fazer queixa de mim, mas nunca passava disso. No entanto, nesse dia que nunca mais esquecerei, a minha tia Marta estava a entrar em casa e assistiu a tudo. E mais: teve o cuidado de não aparecer logo, movida pela curiosidade de ver até que ponto ia a minha má-criação.
Quando se mostrou, fiquei siderado, e procurei disfarçar – mas em vão...
- Ele costuma ser assim contigo, Isaura?
A rapariga, também apanhada de surpresa, ficou envergonhada com a pergunta e balbuciou apenas:
- Só às vezes, minha senhora...
- Então hoje vai ser a última – foi a estranha resposta.
A pobre moça pensou que ia ser despedida, mas não foi nada disso o que sucedeu...
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Não será preciso dizer que essa era uma época em que os castigos corporais faziam parte do dia-a-dia da sociedade, e a minha tia, como pessoa encarregada da minha educação, não hesitava em recorrer a eles com grande frequência.
No entanto, nunca o fazia na frente das criadas – levava-me para o quarto dela, e punia-me com mais ou menos violência conforme a falta que eu havia cometido.
Na realidade, tudo era um pouco mais complicado pois, à medida que eu ia crescendo e ela se sentia com menos forças, as simples surras no rabo (ou mesmo as velhas e eficazes bofetadas na cara) foram dando lugar ao uso de cintos, palmatórias, colheres-de-pau, escovas-de-cabelo e réguas, com o que conseguia provocar-me dores por vezes atrozes e súplicas que eu não conseguia reprimir.
Aliás, sabendo eu que, quase sempre, as criadas estavam a ouvir as tareias que apanhava, esforçava-me por conter os gemidos e os gritos, o que parecia enfurecê-la, dado que a punição só abrandava quando, precisamente, eu começava a chorar e a implorar perdão para que parasse o castigo.
Depois, tremendamente envergonhado e dorido, eu ficava tempos infinitos fechado no meu quarto, até que me chamavam para comer – altura essa em que tinha de enfrentar os risos e comentários dela e da criada.
Ora, no dia em que se aconteceu o que acima refiro, tudo se passou de forma diferente:
Talvez pelo inesperado da cena, fiquei paralisado ao ver a minha tia entrar na cozinha. Instintivamente, assim que ela se aproximou, coloquei a mão em frente da cara, como que a proteger-me do que pensei ser uma mais do que certa bofetada.
Quando eu reagia assim, ela ordenava-me sempre que baixasse a mão e lhe oferecesse a face, mas nesse dia isso não aconteceu. Pousou a mala, tirou lentamente as luvas, e perguntou friamente, de mãos nos quadris:
- Posso saber o que é que se passa aqui?
A Isaura, então, com um ar sonso como se já me tivesse perdoado, respondeu:
- Nada de especial, minha senhora. Ele chamou-me cabra, mas já estou habituada e não ligo...
A bofetada surgiu, então, inesperada e forte, de tal forma aplicada que me fez cair ao chão, aos pés delas!
- Com que então é habitual, hem?! Levante-se, menino, que ainda temos muito que conversar! – ordenou-me, furiosa.
Gemendo e esfregando a cara, pus-me em pé, de olhos baixos. As lágrimas afloravam-me aos olhos, não pela dor (que, por sinal, não era pequena) mas especialmente pela vergonha – tanto mais que Isaura sorria, de mãos nas ancas, imitando a pose da patroa.
Quase instintivamente, fiz menção de sair da cozinha, como que implorando que o castigo (já que era inevitável) tivesse lugar longe dali. Mas estava enganado...
- Peça perdão à Isaura, e imediatamente!
- Desculpe... – sussurrei, perante o ar deliciado da jovem.
E então teve lugar uma cena que me marcou para toda a vida:
A minha tia começou a enunciar um conjunto de frases curtas e altamente humilhantes, que me obrigou a repetir (algumas delas mais do que uma vez) – cena essa que durou o que me pareceu uma eternidade, e pontuada com bofetadas certeiras sempre que eu hesitava ou não falava suficientemente alto:
- Peço-lhe perdão, Isaura... Prometo que não volto a ser malcriado consigo...
No fim, vendo-me destroçado e sem saber onde me meter, começou a desafivelar o terrível cinto cravejado (que eu tão bem conhecia e que tanto temia) e ordenou-me:
- Ajoelhe-se!
Não obedeci logo, mas ela também não me bateu por isso, apesar de já empunhar o cinto, que acariciava.
Fiquei então, pela primeira vez na vida, ajoelhado aos pés de uma mulher. Pus as mãos no chão, ficando de gatas, tremendo, e aguardei.
- Vire-se para ela!
A muito custo, então, rodei um pouco e fiquei aos pés da criadita, que continuava a rir com um riso nervoso.
- Peça-lhe perdão novamente!
Obedeci, entre soluços. Mas o pior veio depois:
- Beije-lhe as sandálias!
Apesar de eu não passar de um garoto, sabia que estava a atingir o supremo grau da humilhação, pelo que, num assomo de dignidade, recusei – e, para minha surpresa, não fui espancado.
- Deixamo-lo assim, a rir-se de nós, ou obrigamo-lo a fazer o que lhe mandei? – perguntou a minha tia.
Embaraçada, a rapariga não respondeu. Mas também não se afastou – antes aproximou um dos pés da minha boca como se, convidando-me assim a obedecer, pretendesse acabar com a cena rapidamente.
- Estamos à espera... – ouvi eu dizerem-me, já não sei qual delas.
E foi nessa altura que eu, num ímpeto de revolta, perguntei, com a voz embargada:
- E a tia, depois, acaba com isto?
- Não te autorizei a fazer perguntas, miúdo. Faz o que te mandei e cala-te! – e, dizendo isso, roçou o cinto pelas minha cara, fazendo-me ver que não lhe faltava vontade de o usar.
E foi assim que, num supremo esforço de vontade, e no meio de risos nervosos, baixei a boca até sentir o cabedal de uma das sandálias da jovem.
Afastei-me logo, mas, como era evidente, não as satisfiz.
E a cena repetiu-se, outra e outra vez, ora num pé, ora no outro. Por fim, pegando-me pelos cabelos, a minha tia obrigou-me a virar-me para ela e fez-me repetir a suprema humilhação – desta vez nos seus sapatos de verniz, o que até aí nunca acontecera.
Por fim, fui mandado de castigo para o meu quarto, lavado em lágrimas, e sem jantar...
*
Não consegui adormecer nem parar de soluçar. A minha vergonha era tão grande, que acho que cheguei a pensar em fugir de casa ou fazer outro disparate qualquer.
Ora, estava eu com esses pensamentos depressivos, quando a porta do quarto se abriu lentamente. Era a minha tia, sorridente, a perguntar-me se eu estava assim por ter sido privado do jantar. Era evidente que já me tinha perdoado. Mas, mentindo-lhe, disse-lhe apenas que estava a chorar por ter tido um pesadelo.
Então, ela puxou para trás os cobertores e fez o que era habitual nesses casos – conduziu-me para a sua cama, pôs a luz com uma intensidade muito baixa e voltou para a sala, ver televisão com a Isaura.
Resolvi então fazer como habitualmente:
Simulei adormecer para, quando ela regressasse, a ver despir-se – coisa que me punha louco visto que, apesar de ela não ter nada de bonita, era a única mulher que alguma vez conseguira ver nua.
Mal sabia eu que não a enganava! Enquanto, sentada em frente ao toucador, soltava os cabelos, limpava a maquilhagem e, lentamente, desapertava a blusa, o colar e o soutien, vigiava-me discretamente pelo canto do espelho. E então, apostada em me enlouquecer, desafivelava as meias de ligas que nessa altura se usavam, descalçava os sapatos ou os chinelos, tirava o cinto porta-ligas e finalmente aproximava-se de mim, semi-nua, simulando acreditar que eu adormecera.
Eu então cerrava mais os olhos e sentia um formigueiro a percorrer-me a espinha ao sentir os seus cabelos na minha face e um beijo maternal na testa.
Depois, ela tirava a combinação – fazendo-o de costas para mim para que eu a visse! – e, finalmente e sem pressas, vestia uma camisa-de-noite e metia-se na cama.
Nessa altura, já eu me chegara para o lado onde ela se ia deitar, pelo que era com uma volúpia imensa que sentia as suas coxas a empurrar-me para arranjar espaço.
Mas ela nunca apagava logo a luz - sentava-se na cama, punha os óculos, e lia até tarde.
Nessa altura, sempre simulando dormir, eu virava-me para ela e ficava a espreitar, por entre as pestanas semi-cerradas, os seus braços nus e o peito generosamente exposto.
Só muito mais tarde, ao encontrar um diário dela, é que soube que tudo o que fazia nessa altura era propositado para se divertir e me enlouquecer!
Nessa noite, porém, ela não demorou muito a apagar a luz.
Como se não fosse nada, chegou-se para mim e fez de conta, por sua vez, que adormecia. Nessa altura, não aguentando mais, virei-me de barriga para baixo e iniciei a prática solitária a que todos os adolescentes se entregam.
Agora imagine-se o meu embaraço quando a ouvi sussurrar:
- Posso saber o que estás para aí a fazer?
Gelei, fiquei quieto e simulei estar a dormir. Depois, virei-me de barriga para cima e nada disse.
Ela, então, chegou-se bem para mim e disse-me ao ouvido:
- Então dorme, queridinho... vou ajudar-te a que tenhas bons sonhos...
E, como se fosse a coisa mais natural do mundo, desapertou-me lentamente os botões do pijama e começou a acariciar-me. Primeiro o peito, por fim o sexo...
- Se queres continuar a fazer de conta que estás a dormir, não me importo...
E, dizendo isso, puxou-me para si, fazendo mergulhar a minha cara nos seus seios, enormes, perfumados e flácidos...
*
A partir desse dia, a relação entre nós os três entrou numa estranha fase.
Durante o dia, sozinho com a criada, eu era sujeito a uma estranha chantagem:
Ameaçando fazer queixa de mim, eventualmente exagerando ou inventando coisas, ela tinha-me completamente na mão. E isso, que começou por ser um jogo inofensivo, a breve trecho se tornou numa espécie de escravatura:
Ela passava o dia a fumar, a beber ou a ver televisão enquanto eu fazia os trabalhos dela.
O mais espantoso foi que a minha tia descobriu o que se passava e não interveio – antes comentou que o que lhe interessava era que as tarefas fossem feitas!
Mas havia uma condição, naturalmente:
As coisas tinham de ser BEM feitas, e em breve reparei que me exigia muito mais do que alguma vez exigira à criada!
Ora sucedeu que um dia (já eu era bastante crescido), quando eu já estava farto de esfregar o chão até ferir os dedos, Isaura me apareceu, de copo de vinho na mão e tendo calçado os sapatos altos da minha tia.
Envergava um roupão mal apertado, estava semi-nua e visivelmente embriagada, e começou a dizer que o meu trabalho não estava bem feito – no que talvez tivesse razão.
Com a ponta do sapato começou então a indicar os sítios onde havia sujidade, mostrando uma crescente irritação a que eu não conseguia pôr cobro.
Começou, então, a ameaçar-me com o costume – que iria fazer queixa de mim, pelo que eu podia ir-me preparando para uma sova de cinto.
Revoltado, resolvi então armar-me em valente e dizer que a minha tia já não tinha forças para grandes tareias – o que, embora até certo ponto pudesse ser verdade, não deixava de ser terrível quando ela decidia sovar-me com a parte da fivela.
Por acaso, esse mesmo cinto estava ali na cozinha.
Isaura sentou-se numa cadeira, pegou nele, dobrou-o ao meio, e disse:
- Não te armes em forte, que eu bem sei como ela te põe a ganir como um cachorro apesar de dormir contigo. Julgas que eu não te oiço? Farto-me de rir, e sabes o que é que eu faço quando sei que estás a apanhar? Olha, faço isto!
E, indecentemente, abriu ainda mais o roupão, afastou as pernas, meteu a mão direita por baixo das cuecas e acariciou-se, semi-cerrando os olhos.
Excitado e fora de mim, continuando de joelhos, aproximei-me dela e abracei-me aos seus tornozelos...
Ela riu, e esse dia foi o primeiro – mas não o último – em que conheci a tremenda força do seu braço...
*
Passaram-se muitos, muitos anos.
Isaura despediu-se, casou, e desapareceu.
Mais tarde, tendo enviuvado e com dificuldades económicas, veio bater à nossa porta oferecendo-se para trabalhar de graça – só em troca de cama e comida.
A minha tia não a queria aceitar, pois vivia no pânico de que se descobrisse o género de vida incestuosa que levávamos.
No entanto, a outra olhou para nós, sorriu e comentou com um ar maroto:
- Se o problema é o que eu estou a pensar, não se preocupe, pois eu acho que fazem muito bem em viver assim, o amor é muito bonito e eu não tenho nada com isso...
A minha tia encarou-me, aterrada, imaginando que eu me encontrara com a outra e contara o segredo da nossa vida.
Mas não – ela apenas intuíra... e não se enganara.
O certo é que Isaura, agora com 42 anos, vive connosco. A minha tia tem actualmente 60. Quanto a mim, limito-me a ser o humilde escravo - dela... e de Isaura.

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