quinta-feira, agosto 31, 2006

Primeira vez...


Primeira vez... é sempre um momento que fica guardado numa gaveta especial da memória. Sobretudo quando marca um momento agradável, intenso.
A nossa primeira vez no feminino foi há 3 anos atrás. Sem ser planeado, sem ser sequer imaginado.
Foi um acaso - se é que o destino tem acasos - um momento em que as duas nos deixámos embalar por uma tarde de calor que se entranhava pelos corpos e os aquecia.
Por acaso (há acasos?) um toque sem querer. É difícil descrever exactamente o que aconteceu. Conversas de mulheres, segredos partilhados sobre o Jorge e o Nuno (pois... essas conversas de mulheres...) e uma mão que por ordem de um destino que ainda não conhecíamos roça uma coxa que se arrepia.
Alguns risos, misturados com um olhar que vai desvendando o destino (ou o acaso?) marcado para aquele dia. O constrangimento de um momento que nenhuma ainda tinha vivido.
Depois, outra mão que pousa já de forma demorada no joelho que estremece. Nessa altura, a conversa de mulheres esfumou-se. O tacto substituiu a linguagem. Um tacto a medo, em sussurros.
A nossa primeira vez foi assim, em sussurros. Gestos lentos, de quem avança por caminhos que não conhece. Toques envergonhados de quem entra num mundo novo.
Depois, os silêncios. Foi uma primeira vez de silêncios. Quebrados pelo deslizar da roupa que cai no chão, pelo murmúrio das mãos que se aventuram, pelo arfar das bocas que se entreabrem.
E por fim, as junções dos lábios secos, dos dedos que se entrelaçam, dos mamilos que se provocam, dos sexos que se esfregam. Lentamente.
A primeira vez foi assim, em velocidade lenta, sem pressas, numa descoberta de fascínio. Até o silêncio ser rasgado pelos gemidos do primeiro orgasmo... e de um segundo.
Depois... a primeira vez terminou de novo no sussurro das carícias. E num abraço em que os corpos se colaram. E num beijo. Um beijo suave... intenso... prolongado.

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